Ibovespa se destaca na cena externa em série de 23 anos

Embora o atual governo não tenha motivos para comemorar quando o assunto é bolsa em relação às gestões anteriores, pelo menos ele segue com uma posição favorável na comparação com mercados estrangeiros.

Ao analisar um período de 23 anos, com início no governo de Fernando Collor, o levantamento feito pelo economista da Simplific Pavarini Investimentos e professor do Ibmec -RJ, Alexandre Espirito Santo, mostra que o Ibovespa tem maior retorno que os principais índices das bolsas americanas – Dow Jones e S&P 500 – e do México – IPC.

VALOR

 

 

O estudo aponta que o Ibovespa apresentou a maior volatilidade diária anualizada (45,2%), mas também conseguiu obter o maior retorno médio diário anualizado (22,7%). O ganho em dólar no período, de 1.676%, ficou próximo ao do índice da bolsa mexicana (1.596%). “A redução da volatilidade melhorou muito [a relação]

o risco/retorno da bolsa brasileira. Ao olhar a série longa, o desempenho do mercado está parecido com o das principais bolsas”, diz o economista.

No Brasil, o indicador que compara volatilidade e retorno do Ibovespa corresponde a 2, ante número de 2,2 tanto do Dow Jones quanto do S&P 500, e de 1,8 do IPC mexicano. Espirito Santo ressalta que, com base nesses dados, o principal índice da bolsa brasileira oferece expectativa de retorno superior à dos mercados americanos, ainda que com maior volatilidade.

Para um investidor de longo prazo, que monta uma carteira pensando em investir, não em especular, é indiferente aplicar no Brasil ou no exterior, diz o professor. Mas ainda que a série histórica do período democrático dê vantagem ao Brasil, a trajetória da bolsa no governo atual tem sido, sim, fonte de preocupação.

“Apesar de a volatilidade ter caído muito, os investidores estrangeiros e locais estão com muita desconfiança desse governo, sobretudo em relação ao Banco Central, que se mostra mais reticente com relação às metas inflacionárias”, avalia Espirito Santo. Mas não são apenas as questões domésticas que estão norteando o mercado, dado que a própria recuperação da economia americana e a esperada redução dos estímulos pelo Fed, o banco central dos EUA, têm orientado os investidores.

Há uma série de fatores atrapalhando a relação risco/retorno no governo Dilma, diz o economista. Mas, se o Brasil fizer a “lição de casa” direito, as perspectivas são positivas. “Como a volatilidade caiu bastante, na hora que o mercado aprumar, os investidores vão perceber que botar dinheiro na bolsa não é tão mais arriscado quanto era num passado recente. Vamos nos acostumar a ser investidores como lá fora, olhando carteiras de investimentos para 20 anos, pensando na aposentadoria”, afirma Espirito Santo, para quem o mercado brasileiro caminha para um amadurecimento saudável.

Já Bernardo Dantas, sócio da Edge Investimentos, avalia que a percepção de risco do investidor aumentou no Brasil em meio à atual situação econômica, especialmente com o maior nível de inflação.

Alexandre Martins, sócio-gestor da Edge, assinala ainda que o quadro se agrava diante da falta de referência do investidor em relação ao patamar de juros no exterior. “O excesso de dinheiro tirou um pouco o chão do mercado sobre qual é o custo de capital, então talvez a sensação de risco esteja até maior”, diz.

O diretor-executivo do UBS Wealth Management, Francisco Levy, afirma que o mundo tem hoje maior liquidez e menos volatilidade. Mas diz que o processo de normalização da taxa de juros nos Estados Unidos tende a mexer com os mercados na próxima década.

 

 

Fonte : Valor Econômico

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