Multimercado é opção para tentar ganhar com o dólar

Impossível  não brilhar aos olhos do investidor quando se tem o único retorno de  dois dígitos no ano. As carteiras cambiais reinam entre os fundos, com  ganho de 11,4% até 9 de agosto. Os “long and short” vêm em segundo,  muito atrás, com 6,7%. Mesmo com ganhos persistentes, a indicação dos  gestores é que o investidor veja esses fundos como uma espécie de seguro  – para arcar com uma dívida em dólar, uma viagem futura ou, por meio de  uma pequena parcela do patrimônio, para lidar com o medo de perder  poder aquisitivo -, não como uma aposta especulativa.

Esses fundos  investem em títulos públicos cambiais, que pagam a variação do dólar  mais uma pequena taxa, o chamado cupom cambial. Descontados a taxa de  administração e o imposto de renda, esses fundos costumam acompanhar de  perto o movimento do dólar, para cima ou para baixo.

“Os fundos  cambiais devem ser usados como um seguro, que não é muito barato. Custa  mais ou menos 8% ao ano”, diz Guilherme Abbud, superintendente de  investimentos em renda fixa da Western Asset. As contas, que ele  recomenda ao investidor, comparam o retorno esperado para o fundo  cambial com o custo de oportunidade no Brasil.

Enquanto um título  prefixado com vencimento em 2017 paga 11% ao ano, um fundo cambial com  prazo semelhante rende entre 1,5% e 3%, mais a variação do dólar. Ou  seja, diz Abbud, se o dólar mantiver-se no patamar de R$ 2,30 nos  próximos 12 meses, quem aplicar em um fundo cambial hoje terá deixado de  ganhar, em um ano, mais de 8%, que poderiam ser obtidos se o investidor  tivesse aportado recursos em um fundo DI ou em uma LFT.

Na  gestora de patrimônio Taler, o sócio Richard Ziliotto prefere evitar a  aposta direcional no dólar. A opção dele é aplicar uma parte do  patrimônio dos clientes da casa em um fundo multimercado com aposta  estrutural na alta do dólar. “Para o investidor pessoa física, com poder  aquisitivo menor para diversificar, preferimos essa posição com mandato  de entrada e saída”, diz. O gestor do multimercado pode mudar  rapidamente a posição ou até apostar na queda do dólar, enquanto os  cambiais ganham apenas com a valorização.

Marcelo Mello,  vice-presidente da SulAmérica Investimentos, também considera que os  fundos cambiais são mais indicados para quem tem passivo em dólar. Para o  investidor que quer ganhar com a estratégia em moedas, Mello sugere dar  preferência a multimercados, como os do tipo juros e moedas. “Neles, o  gestor tem uma flexibilidade maior para sair de uma moeda e entrar em  outra”, diz.

Fonte: Clipping

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